4 de maio de 2012

Pisca e escreve

– A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais 
  [...] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre? - perguntou o Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?

[Monteiro Lobato, Memórias da Emília (1936)]
26 de abril de 2012

Para o meu Amor

A Taylor Swift's night

Nunca mais eu tinha me sentido tão cantante. Eu já fui assim, do tipo que coloca alguma música pra tocar no computador e canta junto. Nos últimos tempos eu venho me contendo, mas desde essa semana me desceu um santo cantor. Ontem no ônibus, eu juro que faltava pouco pra começar a cantar a música de Phil Collins que eu estava ouvindo. E hoje, que parece mais ser uma sexta do que uma quinta, não me canso de cantar minhas músicas de Taylor Swift preferidas, e as não preferidas também. Cantar e gritar, claro, bem ao meu estilo. To arriscando até pular pelo quarto. Se você for meu vizinho de janela deve estar achando um tanto estranho, but whatever. O show tem que continuar!
But I miss screaming and fighting
and kissing in the rain
and it's 2 am and I'm cursing your name
You're so in love that you acted insane
And that's the way I loved you
18 de abril de 2012

Vida de estudante

Hoje tava assistindo aula de estatística, e o professor, provavelmente em resposta a cara de desespero dos alunos pronuncia a singela frase "Quem foi que inventou de vir pra a faculdade?! Agora aguenta as consequências!".
Adorei! E eu que achava que já tava ruim.

11 de fevereiro de 2012

O Que Tá Faltando - Resposta

Bem, a gente tem a impressão de que pedir desculpas vai concertar tudo; que um simples pedido de desculpas resolve tudo o que passou, e torna as coisas como eram antes. Hoje eu sinto que estou muito em falta com alguém. Alguém que sente demais a minha falta - ou pelo menos sentia depois de uma indireta no facebook. Nem sei se foi mesmo pra mim, só sei que a carapuça coube de tal forma que eu não vi como não teria sido pra mim. As vezes eu piso na bola com ela, e já há algum tempo ela me disse que não adiantava pedir desculpas e persistir no erro. Depois que eu começei a namorar e entrei na faculdade nos distanciamos mais. Já faz muito muito tempo desde a última vez que tivemos aquela conversa no telefone que durava horas e que só terminava quando meus pais se estressavam comigo e com a conta do telefone.Nem sei mais quando trocamos a nossa última sms.
Há dois anos foi que nós começamos a nos afastar. E foi também logo depois da época em que estivemos mais próximas. Terceiro ano, tive meu primeiro namorado, e ela sempre estava a par de tudo. Aí depois as coisas desandaram, acho que ela nunca esqueceu as palavras que eu proferi que fizeram com que as coisas nunca mais fossem as mesmas. Construí uma nova amizade, ganhei um melhor amigo que dividia o espaço com a melhor amiga. Terminei meu namoro, aí nos aproximamos. Até que meu melhor amigo deixou de ser só melhor amigo e de repente eu fiquei sem tempo pra ela.
Ainda hoje sinto isso. Nas últimas vezes que nos falamos sempre aparecia a pergunta "com quem?" e a resposta era sempre "Arthur". Eu sinceramente não sei o que vai ser daqui pra a frente. Acabei aceitando a sua ausência, que era sempre suprida pela presença de uma outra pessoa, mas nunca pensei no que ela fazia a respeito da minha ausência.
Eu não espero que esse post seja um pedido de desculpas. Muito pelo contrário, acho que seria mais um não-pedido-de-desculpas. E o título surgiu já no fim do post, lendo um blog conhecido. Mas inicialmente eu quis só colocar minhas idéias num papel e acabou que deu nisso, no meu não-pedido-de-desculpas. E mesmo assim, ainda não sei o que eu sinto. Quer dizer, na minha cabeça minhas amizades sempre vão estar ali, como nos tempos de colégio. Na minha distorcida consciência a minha relação para com os outros não se altera. O que eu tenho que levar em conta é que as amizades são como plantas, e se você não regar elas murcham. Pena que eu descobri isso tarde demais; mas eu sempre fui assim - a retardada.
23 de janeiro de 2012

Um ano sem pão

Dia 21 de janeiro de 2011 foi o dia em que eu passei no vestibular. Depois de 2010 ter sido um ano sufocante por conta da minha vida de terceiranista (não que eu fosse uma terceiranista exemplar, longe disso). Acontece que, depois de um ano difícil eu ainda tinha esperanças de um bom resultado no vestibular da Universidade Federal. Sou católica, então me apeguei aos meus santinhos, prometendo um ano de recusa à uma de minhas comidas preferidas: pão. Resultado: Passei no vestibular em administração na UFPE e para a segunda entrada, como eu queria. Aí começa a minha história.
Ficar um ano inteirinho sem comer pão foi bem difícil pra mim. Eu comia pão diariamente, no café da manhã e jantar. Eu tive que mudar a minha alimentação. Substituir o café da manhã foi a parte mais difícil. Eu comia pão diariamente, pão frances, pão de caixa, pão doce. Trocar isso por uma tigela de cereal é complicado.
O primeiro mês foi mais chato, toda vez que eu via pão na mesa eu tinha que dizer 'não'. Era ruim ir em festas infantis e recusar o cachorro quente. Dar adeus ao sanduíche do Laçaburguer. Depois eu comecei a colocar bolacha no lugar do pão: bolacha com manteiga, bolacha com requeijão, bolacha com geléia.
Ai depois ficou mais fácil. Tornou-se um hábito. Não sentia mais vontade de comer, quer dizer, até sentia mas dava pra controlar. Ter tirado o pão da alimentação foi muito bom pra mim. Eu não fico mais com aquela sensação de estar 'cheia'. Foi uma experiência muito boa e super válida.
Acho que hoje eu estou mais contida, e não vou mais voltar a ser uma viciada em pão. Sábado fez um ano, e eu só vim comer um sanduíche ontem. Agora eu só vou me permitir comer pão ocasionalmente. Isso vai fazer uma diferença danada futuramente.